sábado, 26 de abril de 2014

O "uniforme" da Dança do Ventre

O que faz uma dança é o cabelo? É o peso? A altura? A atitude? As habilidades? O quê?
Hoje, conversando com um amigo que tem uma namorada super fofa de cabelos curtos, surgiu a seguinte pergunta: "Não existem dançarinas com cabelo curto, né?"! E eu, prontamente, disse "nãaao" e lembrei logo de uma bailarina pouco convencional, a Rosa Noreen, que tem DVD lançado e tudo. Ela tem umas coisas bem interessantes!
De fato, pesquisando no google o termo "Dança do Ventre", os resultados mostram dançarinas de cabelo longo, a maioria magra. Acredito que há crenças sobre como uma dançarina deve mesmo "parecer", assim como também há variações desses esteriótipos. Tenho um exemplo que gosto de usar, pois no Studio onde trabalho há duas perguntas constantes e que são divertidas porque são contrastantes: "tem que ter uma barriguinha pra dançar, né?" contra "tem que ser magra pra dançar, né?; às vezes essa última varia assim: "fica mais bonito quem é magra, né?", ou "quem é gordinha pode dançar?". Essas perguntas me mostram que o "uniforme" varia, mas existe na cabeça de muitas pessoas um uniforme, um esteriótipo, um jeito de ser melhor, ou mais adequado pra dançar. É engraçado porque a Dança do Ventre por si só já é tão contravencional, não é mesmo? 

Mas eu mesma já me surpreendi vivendo isso. Na minha primeira apresentação eu queria me vestir do meu jeito, mas me convenci que, além do meu jeito ser super sem graça, eu tinha que "parecer uma dançarina do ventre". E como elas são? Bom, na minha cabeça, elas usavam unhas vermelhas, batom vermelho, olho super preto, cabelo solto e a roupa tinha que ser bonita e chamativa e ter alguma fenda mostrando a perna. Ah, e usam muito strass!!! Conclusão: eu odiei. Eu que sempre fui tão fiel a mim mesma prometi que dali em diante só iria dançar do jeito que EU sou. Já na segunda apresentação, eu fui com uma roupa mais simples que a anterior, bonita, fiel ao meu estilo de ser, esmalte clarinho, de trança, maquiagem menos marcada e bijuterias discretas. Eu me achei LINDA e sai muito, muito feliz dali. Reflete comigo: a gente dança pra quê?
Não quero me alongar, mas vou te fazer um pedido muito importante, caso tenha mais tempo pra ler um texto super interessante que tem TUDO a ver com esse tema. É muito bom e está em inglês, mas se você se interessa pelo assunto, vale o esforço. Acessa vai? Por favor, clica aqui e depois volta: http://www.gildedserpent.com/cms/2010/07/18/andrea-deagon-belly-dance-in-patriarchy/
Voltando às lindas dançarinas de cabelo curto. Não existe só a Rosa Noreen, ainda bem. Fui lembrando de tantas outras e vim compartilhar por aqui. Porque, o que faz uma dança é o cabelo? É o peso? A altura? A atitude? As habilidades? O quê? Vem comigo assistir Dança? Dança do Ventre? (siiiiim \o, porque é bom demais, né?) Vambora!

Quer acrescentar alguém? Fique à vontade pra comentar!
Esmeralda Colabone
 Mariana Quadros
Lalitha
Nadja el Balady
Isete Najla
Sera Solstice
 
Zeinat Olwi
Samia Gamal
Tahya Karioca
Nadia Gamal

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Primeiros Passos de Samara Nyla

Samara Nyla é formada em Geografia e pós-graduada em Psicopedagogia. No entanto, estuda Dança do Ventre desde 1999, quando tinha apenas 12 anos de idade. É uma bailarina conhecida por sua leitura musical refinada e performances de improviso. Atualmente, mantêm-se em constante estudo com diversos profissionais internacionais e nacionais, mas seus principais professores são Samra Sanches e Nami Hanna. Já participou de diversos programas na televisão como Big Brother Brasil, Fantástico, a novela "O Astro", entre outros. Em 2012 abriu seu próprio espaço de dança, localizado na zona oeste do Rio de Janeiro, o Studio El Said de Dança, onde ministra aulas (entre outros locais). Ela também possui um atelier especializado em figurinos para Dança do Ventre e de moda fitness que leva seu nome como marca em parceria com sua mãe Gilda Marques. Vamos conhecer um pouco do seu início?
Samara Nyla ainda loira em 2003
Porque você começou a dançar a dança do ventre? 


Meu primeiro contato com a dança do ventre foi em 1998 quando fui assistir a CIA de danças Yahliw com Luciana Midlej e Adriana Almeida em uma feira cultural no RJ. Me apaixonei pela dança mas não iniciei meus estudos naquele ano. Eu comecei a dançar aos 12 anos de idade devido a um problema de saúde (ovário policístico) e minha médica me indicou fazer dança do ventre 2 vezes na semana para dissolver os cistos do meu ovário. Achei aquilo muito interessante pois não sabia que a dança era bom para esse tipo de problema. Com 1 ano de aula a minha médica constatou a eficácia da dança e eu já não tinha mais nada. Mas a esta altura eu já estava apaixonada por essa arte tão magnífica que nunca mais parei e indico a todas as mulheres que tem ou venham a ter qualquer tipo de problema parecido com o que eu tive.

Como foram as primeiras aulas? 
A primeira aula foi muito engraçada! rs Eu achei todos os movimentos muito estranhos no corpo, mas ao mesmo tempo achei leve, bonito e comecei a gostar do que vi que meu corpo podia fazer. Com o tempo, e claro com treinos, que a gente percebe como os movimentos ganham mais formas e se tornam mais fáceis, muito bons!
Quais eram as suas dificuldades e como você as superou? 
Minha maior dificuldade era parar as mãos! rs Eu fazia todos os movimentos e os braços e mãos ligados no 220V! rs Eu acho a coordenação de mãos e molduras de braços a parte mais difícil da dança, estudei muito sobre isso e tive uma mestra maravilhosa, que até hoje está presente em minha vida, que é a Samra Sanches. Com ela aprendi a ter mais calma para dançar e a coordenar melhor os braços e mãos. 
Uma história peculiar sua com a dança do ventre. 
Sempre me achei muito baixinha!!!! rsrsrs e com isso, quando eu comecei a dançar com véu de seda eu sempre me embolava nele. Daí o véu parecia mais uma burca colorida do que um elemento de dança. Meus braços sempre foram muito curtinho devido também a minha altura e eu tive que trabalhar muito a questão do véu na minha dança.

Um recado para quem está começando ou continua estudando. 


Para quem esta começando a dançar agora eu digo siga em frente e mergulhe de cabeça nessa arte milenar tão rica e encantadora que é a dança do ventre. Estude sempre, se aperfeiçoe cada dia mais, treine e busque seus objetivos, não se deixe levar por decepções do mundo da arte, viva intensamente a sua emoção ao dançar!

Primeiramente quero agradecer a Jesus, que me deu esse dom que tanto amo que é dançar e por ele fazer a minha vida muito mais colorida devido a dança. Quero agradecer também a Luciana Midlej e Adriana Almeida por terem sido, sem saber na época, as grandes motivadoras do meu sonho se tornar realidade, porque foi as vendo dançar que eu me apaixonei pela arte. Agradeço a minha médica na época, Drª Sandra Barcelos, que me mandou fazer a dança para melhorar minha saúde. Mas agradeço mesmo imensamente a minha mãe, Gilda Marques, por ser a maior fã e parceira que eu tenho, por ter me dado força desde primeira aula, por ter sido ela a me levar para ver meu primeiro show de dança do ventre e por ela ter batalhado junto comigo a minha melhora de saúde na época, obrigada minha heroína! Agradeço também ao meu marido Rick Araujo por todo o carinho e empenho de trabalhar junto comigo e de ser tão compreensivo com a minha dança e por fim, ao meu avô Lino Marques que era contra a dança no início, mas logo mudou de ideia quando descobriu a cultura e o quanto estudamos para fazer bonito no palco.

*
Vamos ver o Antes e Depois dos vídeos da Samara?
(2008)
(2012)

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Primeiros Passos de Kiania Lima

A linda Kiania Lima tem se destacado no meio da Dança do Ventre pelo seu talento, domínio técnico e simpatia. Inclusive, já contribuiu aqui no nosso blog com um "guia" sobre improvisação que nós amamos e recomendamos fortemente a leitura. Ela conheceu a dança do ventre com 10 anos de idade, após assistir duas bailarinas na televisão. Este foi o click do encantamento e o início da busca pelos estudos. Dentre suas professoras podemos destacar Rita Ferraz, Málak Alaoani e Aziza Mor-Said. Hoje, integra o quadro de bailarinas "Noites no Harém" da famosa casa de chá paulista Khan el Khalili. Sua maior fonte de estudo é a bailarina egípcia Dina. Vamos conhecer um pouco do início de todo esse percurso agora?
Porque você começou a dançar a dança do ventre?
Eu não tenho nenhum motivo considerado especial para ter entrado no mundo da dança do ventre. Não tenho descendência árabe e não me lembro de ter tido contato com alguém da cultura até realmente começar a dançar profissionalmente, muitos anos depois. Me apaixonei pela dança quando, aos meus 10 anos, assisti uma apresentação de duas moças, na TV. Era uma apresentação com taças, e há 16 anos atrás, a dança não tinha todo o glamour que vemos nos dias atuais. Eu sempre tive contato com os esportes. Tentei jogar basquete, handball, fiz natação. Não me dei bem com nenhuma dessas modalidades. Paralelamente a isso, tinha meu contato com a dança. Iniciei meu aprendizado no jazz. Tão pequena que nem consigo me lembrar quantos anos eu tinha. Gostava muito do jazz. Fiz uma aula de ballet clássico e odiei. Nunca mais voltei. (Coitada da minha mãe que tinha comprado todos os acessórios, se assim posso dizer). Bom, aos meus 10 anos eu decidi que queria fazer dança do ventre de qualquer jeito, pois tinha ficado fascinada pelas moças da TV. Um dia, na minha escola, organizaram um show de talentos, onde qualquer aluno poderia apresentar qualquer coisa que quisesse. Fiquei espantada quando uma das minhas amiguinhas de sala fez um número de dança do ventre. Era muito difícil encontrar informações, locais de aulas, ainda mais com a minha idade.  Bom, tive a oportunidade de fazer a minha primeira aula com a professora dessa minha amiga de escola. Rita Ferraz. Ela dava aula na sala de estar da sua casa. Entrei em uma turma de duas pessoas. As duas meninas do meu colégio. Nem preciso dizer que eu não parei nunca mais e as duas desistiram, né?! Fiz aulas regulares com a Rita até meus 20 anos.

Como foram as primeiras aulas?
As minhas primeiras aulas foram uma delícia. Sinto muita falta daquele cheirinho da sala de estar da Rita. Não só por ser onde tudo começou. A minha vida, os meus sonhos, mas também porque foram os anos mais acolhedores que vivi, no meio da dança. Naquela época a dança era só amor. Eu nem sonhava um dia estar onde estou (estar, por exemplo, escrevendo para vocês, contando sobre o meu início). Me lembro de a minha primeira aula ter sido uma delícia. Eu estava tão ansiosa. AHHHH..COMO ESTAVA! Lembro que na primeira aula aprendi os oitos verticais (oito para cima e oito para baixo) e me lembro que consegui fazer os dois de primeira, e que me senti super confortável fazendo aquilo. Me lembro que a Rita ficou meio abismada e me encheu de elogios. Eu fiquei me achando horrores e me senti em um sonho. Fazendo o que eu tanto queria. Me sentindo a menina das mil e uma noites. Por alguma razão que eu só tenho a capacidade de entender nos dias de hoje, eu acredito que estava destinada àquilo. Foi uma coisa muito forte que senti. Por incrível que pareça, eu sinto mais dificuldades hoje do que no início do meu aprendizado. Talvez por toda a cobrança que toda bailarina profissional carrega consigo.

Quais eram as suas dificuldades e como você as superou? 
Minha maior dificuldade na dança sempre foi a de me apresentar em público. Sempre fui estudiosa. Sempre tive um certo talento, que era o que algumas pessoas diziam, mas eu saía correndo de qualquer tipo de apresentação. Sempre fui muito tímida. Dancei apenas para mim mesma por 13 anos e, ainda hoje, tenho isso como minha principal barreira a superar. Sempre busquei a perfeição. Nunca achava que estava pronta para nada e, por isso, demorei tanto tempo para dar início a minha carreira de bailarina e, ainda assim, por um empurrão da minha mãe, que me inscreveu na pré-seleção de bailarinas Khan el Khalili.

Uma história peculiar sua com a dança do ventre.
FATO 1: Sempre me achei muito dura na parte do tronco. Tinha o sonho de ser modelo e ginasta, ao mesmo tempo (hahahaha). Fui daquelas garotinhas que andavam com livro em cima da cabeça e tudo. Cheguei a trabalhar um pouco como modelo de passarela, mas tenho como uma das minhas frustrações na vida, a de nunca ter conseguido fazer a minha aula de ginástica olímpica e também a de nunca ter sabido dar uma estrelinha... Por toda a minha vida na dança ouvi diversas pessoas falando que eu era muito travada, muito durinha. Me cansei disso e decidi encarar como meu estilo na dança. Não ligo. Sou durinha e nunca consegui fazer aquele passo de soltar os bracinhos molinhos, de um lado para o outro, passando o peso. É idiota, mas só faço isso do jeitinho durinho da Kiania.
FATO 2: Eu não ia ser Kiania, no momento em que estava dando minhas primeiras engatinhadas no mundo das bailarinas profissionais. Ia ser Paola. Tinha vergonha de me chamar Kiania, sei lá por que.Graças ao Jorge Sabongi e Aziza Mor Saidi escolhi o melhor nome para me acompanhar na minha jornada. O MEU!

FATO 3: Uma vez, na aula da Aziza, ela pediu que fizéssemos uma seqüência de forma despojada. Eu fiz, achando que estava arrasando (Hahaha), aí quando terminou a minha seqüência a Aziza falou: "Legal, Ki! Agora faz a despojada." Eu fiquei com aquela cara de "Ué?! Morri!!! Hahahahaha. Isso marcou a minha vida eternamente.

Um recado para quem está começando ou continua estudando.
Eu acho que o mais importante é ter certeza do seu amor por essa arte. Se não tem muito amor, não vai longe. Se você acha as roupas bonitas, se acha que tem algum glamour em vesti-la e é simplesmente isso, tudo vai dar bem errado. Bailarina de dança do ventre é quase uma sem vida. Óbvio que tudo depende do quanto você vai se dedicar e querer se entregar para este mundo. E é aí que mora a palavra AMOR.
Siga seus princípios.
Seja você, mesmo que seu você seja "menos legal" do que o você de outra pessoa.
"Tente" falar pouco.
Dance. Dance. Dance.
*
Vamos ver o antes e o depois dos vídeos da Kiania?
(2010)

(2013)

Related Posts with Thumbnails