Ao traduzir uma música do Khaled, lembrei quando teve um momento cult da música árabe no Brasil. Pois é, época da Feiticeira do Luciano Huck, várias "melôs da feiticeira" rolavam pelas rádios brasileiras. Bons tempos em que ainda dava para ouvir uma música "árabe" que não fosse Shakira.
Nessa época eu ainda não dançava, mas eu já ouvia música árabe desde minha infância, e o que não sabia é que o estilo que eu ouvia era o Raï, consagrado por esse cantor - único cantor "árabe" que veio ao Brasil cantar ao vivo, que eu saiba - Cheb Khaled. Ah, como sempre podemos melhorar na nossa vida, o nome dele não é Caled, mas RRRRRaled. O mesmo que o restaurante Al Khayyam no Rio de Janeiro, lembro quando falei o nome certo e quase uma lágrima rolou pelos olhos do dono de lá.Mas por que o momento "recordar é viver". Fui no youtube, e olha o que achei por lá: Khaled no Faustão!! E mais interessante ainda: não foi um brasileiro que postou o vídeo, foi um marroquino. E notem a breguice nas dançarinas e a falta de organização, fico pensando se elas realmente eram
dançarinas do ventre. No meio daquele bando de mulher dessincronizada, o Khaled parece perdido (ainda que lance um olhar meio "ahammm" pras moçoilas), volta e meia a gente o perde de vista no meio da bagunça. E as dançarinas do Faustão com aquelas coreografias "new age psicodélicas"! Mas o momento mais "weird", para não dizer "freak" mesmo é a Regina Casé com um maravilhoso ninjtsu, aparecendo do nada no meio do palco para beijar o Khaled!! O que será que ele deve ter pensado: meu Deus, que louca é essa, tá querendo me agarrar, socorro mocréia. Oh, que beleza, o Khaled sorrindo de orelha a orelha, será que ele achou engraçado? Mas acho que o Khaled não ficaria feliz se visse as legendas que colocaram para a sua música, completamente fora da ordem, e pior ainda: erradas! "Dellalli" é "meu amigo", e não sei da onde a produção tirou "ah, essa minha terra, a existência divina". Que inspiração!Ver o Khaled no Brasil também nos faz notar como ele é simpático. É bem interessante, pois quando vemos os cantores libaneses e tunisianos, por exemplo, eles chegam, cantam, no máximo sorriem, mas não dançam, nem animam o público. Quando a música acaba, eles vão embora. Tem gente que fica chocada, mas é uma questão cultural, cantor não é animador de plateia para eles. Aqui no Brasil o Khaled se esforçou para fazer uma dancinha, o que é algo bem legal de alguém que não tem o hábito de se "saracotear" como as nossas cantoras de axé pelo palco.
Então vamos ver um cantor árabe - argelino erradicado na França - num programa de televisão! E vamos torcer para um dia vir pra cá Nancy Ajram e o Amr Diab!
2 comentários:
Hahahahahah Tá engraçado mesmo, ótima lembrança. Me lembro que na época eu tinha achado tudo lindo. Nossa! Como minha visão mudou!
Eu lembro desse dia. Eu tb achei que essas moças não eram bailarinas profissionais. Minha professora na época tb dançou no Faustão mas não essa música, nem sei se foi nesse dia, foi na época do Clone pq ela fazia figuração de dança na novela. Vale comentar a belíssima Claudia Cenci dançando sozinha ao fundo.
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